quinta-feira, 23 de abril de 2015

DIALÉTICA DO SANGUE E DO VINHO

DIALÉTICA DO SANGUE E DO VINHO

Delimitação da essência...
Água e vinho conversam ébrios.
Tão somente a cor e o mosto

que entorpece difere-os se sorvidos.
Sangue que banha o corpo no interior
e água que assepsia a derme.
Cios que se arrastam sob efeito.
Expectativas irreais, sonhos e sagas.
Integrantes das dores angustiantes
invertidos e irreverentes prazeres.
Que queima a pele por fora e mancha
ao adentrar... O caráter.
Irrompe templos sem portas e janelas.
Aquecendo o corpo em querelas e sequelas.
Devora os últimos caraminguás
e vão-se os trocos...
Bolsos vermelhos e salpicados.
Rios de suplícios, lágrimas de sangue.
Poesia de quem dialoga, são beijos.
Dor de quem grita, hálitos e suor.
Eflúvios, odorantes gotejam nojos.
Do livro aberto ao papel rasgado.
Da profusão do bálsamo ao
choro contemplável no obscuro.
Vinho e sangue, vida e morte dialogam.
Argui-se ao vinho: O que fizestes com
a raiz dos excelentes sentimentos?
Redenção ou perdição.

Maria Delmond.

Imagem: Baco impúdico de 2011
Our weekly artist profile. This week we feature the symbolic realism of
Artist Carlos Barahona Possollo.
http://onefive4gallery.com/10-point-profile/carlos-barahona-possollo/

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