quinta-feira, 2 de agosto de 2012

AO POETA MATUTO MARGINAL




A LANÇA AF!ADA DA REAL!DADE
A BOCA DE TODOS OS QUE CALAM
MAS GOSTAR!AM DE GR!TAR.


F!LÓSOFO DAS SACANAGENS !
MENESTREL DA PROVOCAÇÃO !
CÚMPLICE DO SARCASMO.

ZUMB! DOS DESEJOS
CARNÍVOROS E VORAZES !
PORTA BANDE!RA DO TROP!CAL!SMO
SOLDADO DO ANARQU!SMO !
FOTOGRAFIA VIVA DA PLURALIDADE CULTURAL.




Tonny Poeta.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

AMY







Solta a voz Amy que Deus te deu
Sem ligar pra crítica que fala mal da tua vida
Vida esta tão sofrida
Encoberta pelos holofotes da fama

Solta a voz Amy e voa longe
Sem pensar na queda
Pois só os fracos é que tem medo dela

Solta a voz minha querida
Pra geração carente de bons artistas
Para os órfãos de pai e mãe
Que precisam de uma direção na vida

Solta a voz Amy
Mesmo que seja num aparelho de som
Ligado aos meus ouvidos
Pois a única coisa que não quero
É ter que te esquecer!!!
Descanse em paz.



-LEO WALK
PS:. Poema composto no dia do trágico falecimento da grande artista Amy Winehouse in memoriam.

EM SINTONIA COM OS BEATLES



''PARA JOANA E MARCELO''





essa é uma bela manhã para ti dizer como mim sinto


e uma noite muito difícil ,estou sentindo dores


trabalhei muito tempo como um cachorro


e fui remunerado como um professor

então por que cargas dágua tenho que ti pedir perdão

não há beleza na joias da coroa da rainha

já passei um verão inteiro fascinado com olhos

de uma garota belga que vi no cinema

meu coração nunca diz oque fazer

ele apenas pulsa e bombeia sangue

meu coração estar na geladeira 

o problema é que lá ele só encontra cervejas

e petiscos salgados e doces

fui largado com uma 3 por 4 no bolso

e já não tenho tempo para sair cantando

pelos bondes e pouca beleza há se ver

e se voce começar a toca esse banjo

eu ti acompanharei mesmo rouco

e se voce não conseguir colocar acordes dissonantes

vou ti ensinar os mais simples que os BEATLES usava

quem sabe assim eu aprendo dançar aquela valsa

e dessa vez na pisarei o seu pés




-ED. RIBEIRO

domingo, 15 de julho de 2012

O recital IMARGINAU





O recital IMARGINAU aconteceu em Vitória de Santo Antão; duas vezes na mesma semana. Digamos que cada um com seus momentos, os mesmos versos para públicos distintos; Primeiramente o sarau aconteceu no salão nobre do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória de Santo Antão na noite de quinta-feira dia 12/07. Rildo de Deus e Luann Ribeiro estavam preparando um presente inestimável ao público: amigos, familiares, amantes, paixões antigas, amores platônicos, filias, eróticos, sádicos, enfim... O Silogeu do Instituto foi gentilmente cedido para os ensaios e facilmente pode-se marcar o evento lá e ter acesso ao conforto daquele lugar (realmente muito bom poder contar com quem vê o espirito da arte). Célio Lima “O poeta Matuto Marginal” veio diretamente de Bezerros; terra das xilogravuras, recitou J. Borges “A filosofia do peido” e ludicamente descontraiu o publico dentro daquele lugar que raramente se ouve risos. O evento foi desenrolando-se no decorrer da noite e fantasmas da poesia pairando e fluindo no ambiente; Com direito até a apresentação de pirofagia o recital IMARGINAU aconteceu lindamente.
O segundo momento foi no Projeto Cultura Livre nas Feiras sábado dia 14/07. Que primeiramente convidou artistas Vitorienses a prepararem suas performances e realmente daí que o IMARGINAU foi abortado do mundo das ideias. O “Cultura Livre nas Feiras” é promovido pela FUNDARPE e no espirito das apresentações para o Teatro de Rua vai de cidade em cidade do estado de Pernambuco levando e promovendo a arte dos artistas do interior para os conterrâneos (o povo da cidade). Realmente uma proposta honorária nesses tempos de apagão artístico. Prometo-lhes que o IMARGINAU não morrerá, talvez tome formas diferentes; quem tem olhos e memória para ver as profundezas do artista na vida conseguirá encontrar os IMARGINAU seja lá como esteja sendo apresentado, chamado, vivido, lido, sentido...
                                 -Rildo de Deus e Melo Jr.





quarta-feira, 30 de maio de 2012

LANÇAMENTO DA REVISTA "CACOS"

FORA LANÇADA RECENTEMENTE A REVISTALTERNATIVA "CACOS" + UMA EMPLEITADA DO NOSSO AMIGO "O MESTRE ZIZO"...


-O ZIZO É UMA FIGURA DE GRANDE IMPORTACIA AO CENARIO ALTERNATIVO DE PERNAMBUCO. É UM CARA QUE TRANSITA NO MEIO UNIVERSITARIO E POETICO MARGINAL HA + DE 2 DECADAS DESENVOLVENDO TRABALHO DE COLAGEM POETICA ESTETICA-TEXTUAL !!! RESSALTANDO TRABALHOS INTERESANTES COM O PROJETO "FRAGANTE DELEITE" OU O "CAOS"... BOA SORTE AO ZIZO E A SUA NOVA PRODUÇÃO A "CACOS" !!!

Os poetas: Rildo de Deus, Miró e Zizo. Presentes na Revista: CACOS.

 

 

PHILOSOPHARTE CHANNEL
-O Zizo e a Sue no CAC da UFPE


terça-feira, 15 de maio de 2012

Sou da Lapa

 

Sou da Lapa


Não Sou Mulata 
E não sou Carioca...
Sou Do Rock 
Mais Curto Funk...

Sou Da Lapa Pernambucana 
Do Sertão de Maria Bonita...
Nascida e Criada 
Com Regras!

Da Ladeira do Alto Zé do Pinho
Reencontro a galera
Ouvindo o som de Devotos...

Do Forró 
Ao xique - xique faceiro 
Do Brega 
Ao ritmo de Tecno Brega...
SOU DA LAPA
Y DAS LAPADAS DE KANA
SOU DO AGRESTE
Y DA SECA
CANTADAS NAS NOVENAS SERTANEJAS
Y NAS NOITES DE CANTORIAS BREJE!RAS
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SOU DA LAPA
Y DAS LAPADAS
DOS CANTADORES DE EMBOLADAS
SOU DA LAPA
Y DA LAMA
DOS CATADORES DE CARANGUE!JOS
Y DO SOM ANTENADO
DOS MANGUEBOYS
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SOU DA LAPA
Y SOU DA !LHA
Q BR!NCA COM L!A Y SUA C!RANDA
Y Q DEPO!S CA! NO R!TMO SOLTO
DOS MARACATUS O BAQUE V!RADO
Y CURTE O SOM DE S!BA, OTTO, EDDIE 
VERTIN MOURA, SANGUE DE BARRO & ISAAR
DEPO!S A!NDA VA! CONTEMPLAR 
O MUNDAO DO ARRUDA
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SOU DA LAPA
+ ENTRO NO XOTE DO XAMEGO SAFADO
LA NA SALA DE REBOUCO
SOU DA LAPA
Y DAS LADE!RAS DE OL!NDA
PASSO Y REPASSO O MEU ABRAÇO
DOS CARNAVA!S LA NA CASA DO ALCEU
+ VOU NO BLUES
DAS JAM SESSIONS DO BURBURINHO
DOU 1 PULO NAS TERÇAS NEGRAS
VIAJO NO REGGAE PELAS MOEDAS
Y CA!U NA FESTA DAS LAVADE!RAS,
NO BREGA DO JOAO DO MORRO, 
WANDER WILDNER, VOU NO BO! DA MATA DA VARZEA
Y TOMO CAFE AO SOM DO ZÉ CAFOFINHO
.
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.

!SSO SEM CA!R
NO VAZ!O DA BANAL!DADE
OU V!VER AL!ENADO
COMO OS TANTOS
APARREC!DOS
DAS MANCHETES
DOS JORNA!S
.
.
.
DA LAPA DE TODO MUNDO. 
DO MUNDO SEU.



(PAULA MARIANA / c.p.b.p.jr:)

domingo, 6 de maio de 2012

Raul Seixas, um filósofo "outsider".



Raul Seixas era um filósofo antes de ser um músico. Se fosse apenas músico, não se diferenciaria muito de Sílvio Brito. É claro que, se fosse apenas filósofo, não se diferenciaria de qualquer louco loquaz comum e ninguém prestaria atenção nele. É a combinação de uma percepção original (e às vezes genial) do mundo, aliada à sua capacidade de transformar isso em música (e letra) que faz de Raul Seixas um personagem fundamental da cultura brasileira. Sei que neste NÃO muito se falará das qualidades artísticas de Raul Seixas, de modo que vou tentar me concentrar em seus postulados filosóficos.
Talvez a melhor maneira de compreender Raul Seixas seja através da leitura de "O outsider", do inglês Colin Wilson (um autor, aliás, que merece ser redescoberto). Quase tudo o que se conta no livro sobre Nijinski, Van Gogh e Dostoiesvski aplica-se perfeitamente à vida e à obra de Raul Seixas. O "outsider" (tentei fazer uma tradução, mas não consegui) é aquele cara que "vê" o mundo de uma maneira diferente. Ele tem a capacidade de enxergar coisas que o cidadão comum não enxerga. Ele desvenda a superestrutura da sociedade; ele consegue achar os nexos lógicos da vida onde os outros só vêem o caos.

Esta capacidade não leva a uma vida mais feliz. Pelo contrário. Mesmo utilizando a arte para dar vazão ao que vê e sente, o "outsider" sabe que está fora do mundo, acha que não pertence a ele, que sua vida está irremediavelmente afastada das satisfações cotidianas das pessoas normais, do grande exército de "insiders" que povoa este planeta. Solidão quase absoluta (mesmo cercado de amigos e fãs), frustração com a vida amorosa e dificuldade para relacionar-se com as regras e estruturas da sociedade (mesmo as mais simples) são características que Raul Seixas apresentou em toda a sua vida. Vida, aliás, que teve um fim tão triste quanto o de vários de seus colegas "outsiders".

Raul Seixas falava bastante de uma "Sociedade alternativa", com a ajuda, é claro, do hoje execrável Paulo Coelho. Para efeitos deste texto, vou desconsiderar quem assina as letras, porque creio que Raul acreditava em cada palavra do que cantava, tendo escrito ou não.

Em "Sociedade alternativa" - "Se eu quero e você quer / tomar banho de chapéu / ou esperar Papai Noel / ou discutir Carlos Gardel / então vá: faz o que tu queres pois é tudo da lei".

Em "Novo Aeon" – "Querer o meu não é roubar o seu / pois o que eu quero é só função do eu / sociedade alternativa, sociedade novo aeon / é um sapato em cada pé / é direito de ser ateu ou de ter fé / ter prato entupido de comida que cê mais gosta / é ser carregado e carregar gente nas costas / direito de ter riso, de prazer / e até direito de deixar Jesus sofrer."

Em "As aventuras de Raul Seixas na cidade de Thor" – "Eu já passei por todas as religiões / filosofias, políticas e lutas / aos onze anos de idade eu já desconfiava / da verdade absoluta."

O que propõe Raul Seixas? Objetivamente, nada. Um de seus versos mais legais é justamente "A única linha que conheço é a linha de empinar uma bandeira". Ele não era de esquerda, muito menos de direita (se bem que, no seu último disco individual, já bastante fragilizado e confuso, flertou com ela). Anarquista? Acho que não. No máximo aproveitou idéias e imagens dessa turma suficientemente anarquista para evitar o rótulo.

(Na edição especial da revista "Caros amigos" sobre Raul Seixas, o próprio aparece vestindo uma camiseta anarquista, mas, no final de sua vida, inchado pela diabetes e destruído pelo éter, Raul certamente não sabia mais a diferença entre anarquismo e trans-sexualismo.)

Raul Seixas tinha uma relação profissional estreita com a indústria do disco, produziu bastante e procurou adequar-se ao mercado. O que não o impediu de ser um livre atirador. Era um "outsider" clássico, que mandava suas mensagens ao mundo sem se preocupar em consertá-lo. O que seria impossível, pois ele estava completamente fora do mundo.

Mas vamos lá: o que sobrou da sociedade alternativa de Raul, que renega as religiões, filosofias, políticas e lutas que todos conhecemos? O que sobrou da utopia da geração Raul Seixas, que acreditava numa sociedade com outras regras?

Aparentemente, sobrou apenas o "mago" Paulo Coelho, que vende milhões de livros no mundo todo e continuará enganando o pessoal por muitos e muitos anos. Raul Seixas está morto há dez anos e a tal sociedade alternativa nunca saiu do papel. Até seus milhares de fãs, que hoje são identificados pela imprensa como um bando de hippies tardios, continuam sendo apenas uma caricatura – divertida, mas inconseqüente – do próprio Raul. Eles "cantam" a sociedade alternativa, mas não conseguem vivê-la.

Vamos falar a verdade: a sociedade em que vivemos hoje é tão careta e reacionária quanto a de nossos pais e avós. Ninguém consegue viver "diferente". Ninguém apresenta uma solução nova para as velhas angústias que envolvem o sexo, a constituição de uma família, a divisão de responsabilidades entre homens e mulheres, a relação com os filhos, etc. Talvez tenhamos evoluído um pouco no trato com o homossexualismo, que deixou de ser crime, mas nada que a Grécia antiga já não tenha institucionalizado.

A importância, hoje, de lembrar Raul Seixas é constatar a derrota da nossa geração, que construiu alguma cultura para cuspir na estrutura, mas não a desestabilizou nem um pouco. A democracia representativa, que está morta faz tempo, segue como o único modelo prático de organização política. Que tristeza... A antiga família patriarcal, a "célula mater da sociedade", continua como único modelo de organização social. Que caretice! E o capitalismo, que antes pelo menos tinha pesadelos com o socialismo, agora posa de único modelo econômico possível num mundo globalizado (argh!). Que horror.

A "sociedade alternativa", que um dia já pareceu tão possível que levou Raul a ser interrogado e torturado pela ditadura ("Me diz aí o nome dos integrantes dessa sociedade...") hoje não assustaria nem aos arapongas neo-liberais do Fernando Henrique. Todos se dizem alternativos. Há uma música alternativa, um teatro alternativo, um cinema alternativo. Mas uma "sociedade alternativa" não há. Talvez nunca haja.

Algumas pessoas, é claro, ainda escolhem ter uma vida alternativa. Uma opção individual e que exige uma dose de coragem que beira a loucura. Estas pessoas, caro leitor, estão condenadas. Porque não há, no final do milênio, direito de ter riso, de ter prazer, e muito menos direito de deixar Jesus sofrer. 

Carlos Gerbase